Baiuca Cultural


um breve relato
Outubro 22, 2009, 1:31 am
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Você conhece João Antônio? Sem nenhuma pista fica difícil saber quem é entre tantos outros com o mesmo nome. Segue aqui um breve relato desse que gostaria de apresentar: João Antônio Ferreira Filho é escritor e jornalista, mas ele não é mais, ele já foi. Morreu em 31 de outubro de 1986 no Rio de Janeiro. Dizem que de tão malandro, morreu sem se despedir de ninguém. Era paulistano, do morro da geada em Presidente Altino. Morou no subúrbio e foi um escritor premiado. O seu primeiro conto – Malagueta, Perus e Bacanaço – pegou fogo na casa onde vivia. Ele reescreveu tudo, o que não foi fácil, e ganhou o prêmio Jabuti de revelação em 1963. Chamou atenção com suas personagens reais, coisas da vida mesmo. Da vida dele, porque ele falava daquilo que via e vivia. E sempre dizia que ser escritor no Brasil não dava dinheiro. Isso o fez ingressar no jornalismo, o que foi uma grande contribuição para a área. Na revista Realidade, publicou o primeiro conto-reportagem que já se ouviu falar. Também trabalhou na revista Manchete, no Jornal do Brasil e no O Pasquim. No período do regime militar, atuou em diversos veículos da imprensa alternativa e criou o termo “imprensa nanina”. Em 1976, seu conto premiado virou filme, O Jogo da Vida, de Maurice Capovilla. Depois de um tempo, largou tudo e passou a dedicar-se integralmente à literatura. Produziu quinze livros, mas sempre se recusava a participar de cerimônias e nem de academias literárias. Aceitava apenas convites para palestras em escolas e universidades, onde sua obra é muito estudada, devido, não somente à sua personalidade ímpar que atraí olhares admirados, mas também pela incrível linguagem de reproduzir a voz da rua em sua obra. Ele achava que deveríamos conhecer nosso underground brasileiro, talvez um pouco de influência de Lima Barreto, outro grande escritor do qual João Antônio muito admirava. (mais…)



maratona cinematográfica
Outubro 20, 2009, 4:58 pm
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Foi dada a largada para a 33ª Mostra de Cinema Internacional em São Paulo. Se bem que um pouco antes de ser divulgada oficialmente a programação, já havia uma agitação no ar. O evento acontecerá durante duas semanas em diversas salas da cidade. A lista com 300 títulos deixa qualquer um sem saber por onde começar, mas seguem algumas dicas para melhor aproveitar o festival. Primeiro, deixe para depois aqueles que com certeza entrarão em cartaz no circuito regular: Grandes diretores nacionais e internacionais, filmes de personalidades como Coco Chanel, Chacrinha e Maradona, aqueles com atores renomados e outros que tem um certo apelo pop. Para exemplificar, o portal G1 divulgou uma prévia de estreias, veja aqui. Algumas pessoas vão à Mostra porque preferem ver filmes antes da estreia, o que também vale. Reserve essa opção para algum que tenha uma motivação especial. Depois disso, a curiosidade e a afinidade com os temas devem fazer a seleção. Ao final de cada exibição será entregue uma cédula para o público votar no melhor filme. A compra de ingressos pode ser feita no site ingresso.com.br, nas bilheterias dos cinemas e na Central da Mostra para permanentes e pacotes promocionais. Confira a programação oficial no site http://www.mostra.org/ e mais informações no Blog da Mostra. Boa sessão!



outubro colorido em SP
Outubro 16, 2009, 9:41 pm
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Outubro parece ser o mês do cinema em SP, mas o colorido também permeia outros ares. Entre tantas opções, seguem algumas indicações:

Exposição quadrinho marginal – 40 anos. Um panorama do quadrinho marginal americano e brasileiro, iniciando com o número um da Zap Comix , de Robert Crumb até a Sociedade Radioativa Nacional . Serão expostas as imagens mais marcantes do quadrinho marginal, exibindo capas, páginas internas, heróis e anti-heróis, balões, vinhetas, traços famosos presentes nas revistas Boca , Balão , Lodo , Capa , Meia de Seda , Papagaio , As Aventuras de Robert Crumb , Freak , Zap (Acervo da Gibiteca Henfil). De 17/10 a 28/2/2010. Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h – Gibiteca Henfil no Centro Cultural SP  – Rua Vergueiro, 1000.

Outubro Independente. Nesta edição de 2009 o evento passa a se chamar Outubro Independente, com novos espaços para as apresentações e um conceito ainda mais definido sobre o que é cultura independente. De 2/10 a 1/11, trará atividades e espetáculos, a maioria gratuitos, nas áreas de música, cinema, exposições, palestras e bate-papo. Destaque também para Mostra do Audiovisual Independente. Programação completa, aqui.

Vertigem, de Osgêmeos. O lúdico e o político, reunidos em uma mistura de grafite, escultura e videoarte. “Vertigem”, exposição da dupla de arte contemporânea Osgêmeos, chega a São Paulo depois de temporadas em Curitiba e Rio. Desta vez, contudo, a mostra – que será inaugurada no dia 25, no Museu de Arte Brasileira (MAB), na Faap – traz novas obras: intervenções feitas especialmente para a casa paulistana. De 25/10 a 13/12 - Museu de Arte Brasileira da FAAP. Rua Alagoas, 903 – Higienópolis. Entrada gratuita.



roliúde nordestina
Outubro 14, 2009, 11:56 pm
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DSC00262aHollywood, Bollywood, Nollywood, Roliúde. Pela grafia da última nota-se a brincadeira e a procedência da palavra. A Roliúde Nordestina fica na cidade de Cabaceiras na Paraíba. Engana-se quem diz que nunca viu, pelo menos para aqueles que já assistiram alguns filmes brasileiros como Auto da Compadecida e Cinema, Aspirinas e Urubus. Na belíssima cidade locação, o custo de uma produção cinematográfica é considerado baixo, assim como a ocorrência de chuva – o menor índice pluviométrico do Brasil.

 Já a eventualidade de temas sobre violência, periferia, favela e sertão no cinema nacional são bastante frequentes.  Não se pode negar a importância de retratar as questões sociais nas telas como uma forma de reconhecimento e reflexão.

Fora da tela a Roliúde Nordestina é um importante passo além do eixo Rio-São Paulo. Criou-se um mercado de trabalho local, no qual sua gente comum contracena e participa da produção. Uma gota no meio do cariri, mas um modelo que poderia inspirar políticas públicas no intuito de resgatar e dar dignidade ao sertão e outras regiões carentes. Se o cinema nacional é carregado de estigmas, é fácil perceber que o mesmo ocorre com os nordestinos e com os menos favorecidos do país todo. Por que não ver com outros olhos a nossa Roliúde?

 O imaginário popular percorre todas as vias, seja urbano, rural ou periférico. O que vale é o olhar, de quem produz e de quem assiste.

 Nota: Nollywood, indústria cinematográfica da Nigéria.

Fotos: Eduardo Porcino (mais…)


meu amigo Woody Allen
Outubro 13, 2009, 9:15 pm
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allenWoody Allen é um “cineasta pequeno”, “um careta” de “visão estreita” e “frases brilhantes”. Assinado: Caetano Veloso

Como eu queria ter nascido Woody Allen, acabei levando um susto com a manchete. Claro que todos nós temos o direito de gostar mais ou menos de um filme, ou de um diretor. Mas o Caetano Veloso tem uma mania danada de querer aparecer, falar demais. Ô cara chato. Como diz a amiga Ana Maria do blog Psiulândia: “Caetano perde mais uma excelente oportunidade de abrir a boca só pra cantar”. Psiuuu!

O depoimento foi publicado no G1, coluna de Geneton Moraes Neto. Confira, aqui.



esquema ‘esquenta’

33mostra copyFaltam poucos dias para a 33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Enquanto a programação não sai, fique por dentro das últimas notícias no Blog da Mostra. Confira também no blog a lista dos filmes selecionados. E muito mais! 

A arte do pôster tem a assinatura de Os Gêmeos, Otávio e Gustavo Pandolfo, dupla de grafiteiros conhecida internacionalmente. Expoentes da street art, os irmãos ficaram famosos ao pintarem espaços públicos e serem convidados a mostrarem sua arte no museu Tate Modern de Londres. O grafite e as pichações são temas de filmes exibidos na Mostra esse ano, como o polêmico alemão “Art Inconsequence” e o brasileiro “Pixo”. (Blog da Redação UOL Cinema)

Para preparar os cinéfilos para a maratona da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que contará com 300 títulos, o CineSesc organiza o ciclo Mostra Esquenta. O evento, que começou nessa sexta, exibe 14 filmes selecionados para edições anteriores da mostra. (UOL Cinema)

O Festival do Rio 2009 terminou na última quinta-feira (8), e a Mostra de Cinema de São Paulo só começa dia 23 de outubro, mas já tem cinéfilo de olho na programação de estreias do circuito exibidor regular. Afinal, alguns dos filmes mais disputados dos dois festivais já têm data de chegada aos cinemas marcada para as próximas semanas, para alívio daqueles que perderam as sessões no Festival do Rio e para que o público paulistano possa se programar da melhor maneira para a Mostra. (G1 Cinema) http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL1334734-7086,00.html



poltrona 11
Outubro 7, 2009, 5:58 pm
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A viagem não prometia nada de novo. No bilhete, não encontrou o número da poltrona. Sentou em qualquer uma, vazia. Pela janela, reflexos e murmurinhos daqueles que procuravam conforto. O dia passaria cinza e rápido. O vizinho identificou a sua, ao lado da 11. Foi reconhecido enfim o número da poltrona. E não é que mesmo sem saber, sentou naquela que justamente estava descrita na passagem. A poltrona 11. Às vezes, não se enxerga o óbvio da vida. Um leve sotaque do sul embalou a conversa, família e trabalho. Muito trabalho, desde cedo na roça, perdeu um pedaço do dedo, mecânico exímio, tem uma empresa de manutenção hidráulica, professor entusiasta de direção econômica para motoristas de caminhão e ônibus. Quando o passageiro cumprimenta involuntariamente o motorista provavelmente alguma coisa não vai bem, é o que sempre diz em suas aulas. Bem estabelecido, muitas ideias e projetos, feliz. Muito feliz. A viagem realmente foi rápida, porém mais colorida como de costume.



Botecos
Outubro 7, 2009, 3:08 am
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  Luís Fernando Veríssimo,  A Mesa Voadora

 Tinha uma mania: colecionava botecos. Não os frequentava, apenas. Era um estudioso. Gostava de descobrir botecos e recomendar para os amigos. Ultimamente vinha se especializando — um refinamento da sua paixão — no que chamava de botecos asquerosos. Daqueles que nenhum fiscal da Saúde Pública incomoda porque não passa pela porta sem desmaiar. Seu rosto se iluminava na frente de um boteco asqueroso recém-descoberto. Não resistia e entrava. Depois contava para os amigos. — Uma glória. Sabe ovo boiando em garrafão com água? — Repelentes, é? — As galinhas não os receberiam de volta. A própria mãe! Descrevia o boteco com carinhoso entusiasmo. — E que moscas. Que moscas! Só não tinha paciência com o falso sórdido. Alguns botecos assumiam suas privações como uma declaração de falta de princípios. Ele preferia o sórdido inconsciente, o sórdido autêntico. Principalmente, o sórdido pretensioso. Uma vez contara, extasiado, uma cena. Terminara de comer uma inominável almôndega, pedira um palito para o dono do boteco e desencadeara uma busca barulhenta e mal-humorada, com o dono procurando por toda parte e gritando para a mulher: — Cadê o palito? (mais…)



saudosa maloca
Outubro 5, 2009, 10:52 pm
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Decidido: 2010 será o Ano Adoniran Barbosa. Para o centenário do compositor, as secretarias da Cultura, dos Esportes e a SP Turis estão montando programa com mais de 100 eventos. (por Sonia Racy, Direto da Fonte)



o anti-herói é meu herói
Outubro 5, 2009, 10:44 pm
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Anti-Heroi-Americano-4

A figura do anti-herói é bastante frequente na ficção. Personagens que oscilam entre o bem e o mal, de alma esfarrapada e moral vacilante, conquistam leitores e espectadores.

A lista é grande. Valentina de Guido Crepax, McMurphy vivido por Jack Nicholson em O Estranho no Ninho, Fausto de Goethe, Capitão Nascimento em Tropa de Elite, Policarpo Quaresma de Lima Barreto. Até os super-heróis, andam deixando o super de lado para gozarem de humanidade plena.

 O filme Anti-herói Americano merece atenção quando retrata a história do indivíduo comum na tentativa de superar as frustrações do mundo moderno.

 Aparentemente, um drama despretensioso. Harvey Pekar trabalha como arquivista em um hospital de Cleveland. Porém, um episódio em especial deixa o protagonista em alerta sobre seu futuro sombrio. Ao deixar cair no chão uma pasta com arquivos de óbito, encontra a ficha de um homem que trabalhou a vida inteira como arquivista em Cleveland, um emprego burocrático, exatamente como o dele. Tanto no cinema como na vida, fatos como esse inflama nossa imaginação de como escapar de existências esvaziadas de significados. (mais…)