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A viagem não prometia nada de novo. No bilhete, não encontrou o número da poltrona. Sentou em qualquer uma, vazia. Pela janela, reflexos e murmurinhos daqueles que procuravam conforto. O dia passaria cinza e rápido. O vizinho identificou a sua, ao lado da 11. Foi reconhecido enfim o número da poltrona. E não é que mesmo sem saber, sentou naquela que justamente estava descrita na passagem. A poltrona 11. Às vezes, não se enxerga o óbvio da vida. Um leve sotaque do sul embalou a conversa, família e trabalho. Muito trabalho, desde cedo na roça, perdeu um pedaço do dedo, mecânico exímio, tem uma empresa de manutenção hidráulica, professor entusiasta de direção econômica para motoristas de caminhão e ônibus. Quando o passageiro cumprimenta involuntariamente o motorista provavelmente alguma coisa não vai bem, é o que sempre diz em suas aulas. Bem estabelecido, muitas ideias e projetos, feliz. Muito feliz. A viagem realmente foi rápida, porém mais colorida como de costume.
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Um grande abraço.
Comentário por Getulio Borges Novembro 2, 2009 @ 1:46 pm