Baiuca Cultural


Ocupação Sganzerla
julho 1, 2010, 11:47 pm
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Caryl Chessman inspirou João Acácio Pereira da Costa, que inspirou Rogério Sganzerla. Novos ares inspirados para o cinema. O Bandido da Luz Vermelha de 1968 ainda inspira e transpira. Em fase de finalização, ‘Luz nas Trevas – a Volta do Bandido da Luz Vermelha’. Enquanto isso, anotações, roteiros originais marcados e remarcados, trechos de filmes, fotos e objetos pessoais na mostra Ocupação Rogério Sganzerla. Até 18 de julho no Itaú Cultural. Depois disso tudo, fica uma inspiração “sganzerliana” no ar para pesquisar e escrever mais sobre essas conexões, que podem explodir a qualquer momento, como previa o manifesto Cinema Fora da Lei de Sganzerla. Zonk! Crash! Boom!

Ocupação Rogério Sganzerla – Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, 2168-1776. 9 h/20 h (sáb. e dom., 11 h/20 h; fecha 2ª). Grátis. Até 18/7.

Rogerio Sganzerla, uma obra para o milênio

‘Ocupação Sganzerla’ mostra criador multimídia, polêmico e onívoro, muito além de um simples diretor de filmes

“O mérito da mostra está em programar tudo o que saiu da cabeça cinematográfica de Rogério, inclusive trechos disponíveis da “obra perdida” Carnaval na Lama (leia abaixo). O que, seis anos depois de sua morte, vai permitir uma reavaliação do artista. (…)

Por exemplo, será interessante observar como a obra de Rogério fascina as gerações mais jovens, que não eram sequer nascidas quando ele surgia com O Bandido da Luz Vermelha e Mulher de Todos. Será apenas efeito do eterno ar de rebeldia, que sempre seduz a quem é jovem (como, em outro âmbito, o Che)? Ou refere-se à maneira como Rogério incorporou os elementos pop do seu tempo numa espécie de X-Tudo cinematográfico como é O Bandido da Luz Vermelha, paródia de filme noir e comédia, faroeste do Terceiro Mundo, como ele o definia, uma maneira de falar do sufoco apelando não para a consciência da alienação, ou outros babados marxistas, mas para o escracho puro e simples? Mistério. Ou o segredo estaria na concepção rítmica dos seus filmes, da maneira como organiza os planos e os monta, ele que sempre foi cinéfilo, antes de ser crítico e cineasta? Porque há sempre algo de muito ritmado nos filmes desse diretor que gostava de citar a definição de Abel Gance: “O cinema é a música da luz.”

De qualquer forma, Joel Pizzini pega carona na definição do cineasta e ex-crítico dos Cahiers du Cinéma, Bill Krohn, para quem “o cinema de Rogério Sganzerla é uma obra para o século 21″. Quer dizer, uma obra para o futuro, pois antes que se falasse em pós-modernismo e outros ismos, ela já imergia na geleia geral contemporânea e incorporava diversas linguagem à do cinema, como o rádio, os quadrinhos, a música popular, etc. Ao mesmo tempo, bebia no que de melhor a arte cinematográfica oferecia, Orson Welles acima de tudo, mas não o colocando em altar em separado, mas fazendo-o conviver com outras referências, de Godard a José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Tudo era material para entrar nessa dança refinada do cinema, do criminoso do momento (João Acácio, o Luz Vermelha da vida real) a um comediante de TV, Pagano Sobrinho, para interpretar um político corrupto. (…)” (trechos de ‘Rogério Sganzerla, uma obra para o milênio’ – por Luiz Zanin Oricchio / O Estado de S. Paulo)

 


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