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A viagem não prometia nada de novo. No bilhete, não encontrou o número da poltrona. Sentou em qualquer uma, vazia. Pela janela, reflexos e murmurinhos daqueles que procuravam conforto. O dia passaria cinza e rápido. O vizinho identificou a sua, ao lado da 11. Foi reconhecido enfim o número da poltrona. E não é que mesmo sem saber, sentou naquela que justamente estava descrita na passagem. A poltrona 11. Às vezes, não se enxerga o óbvio da vida. Um leve sotaque do sul embalou a conversa, família e trabalho. Muito trabalho, desde cedo na roça, perdeu um pedaço do dedo, mecânico exímio, tem uma empresa de manutenção hidráulica, professor entusiasta de direção econômica para motoristas de caminhão e ônibus. Quando o passageiro cumprimenta involuntariamente o motorista provavelmente alguma coisa não vai bem, é o que sempre diz em suas aulas. Bem estabelecido, muitas ideias e projetos, feliz. Muito feliz. A viagem realmente foi rápida, porém mais colorida como de costume.
Arquivado em: bafafá, literatice | Tags: anti-herói americano, harvey pekar, robert crumb

A figura do anti-herói é bastante frequente na ficção. Personagens que oscilam entre o bem e o mal, de alma esfarrapada e moral vacilante, conquistam leitores e espectadores.
A lista é grande. Valentina de Guido Crepax, McMurphy vivido por Jack Nicholson em O Estranho no Ninho, Fausto de Goethe, Capitão Nascimento em Tropa de Elite, Policarpo Quaresma de Lima Barreto. Até os super-heróis, andam deixando o super de lado para gozarem de humanidade plena.
O filme Anti-herói Americano merece atenção quando retrata a história do indivíduo comum na tentativa de superar as frustrações do mundo moderno.
Aparentemente, um drama despretensioso. Harvey Pekar trabalha como arquivista em um hospital de Cleveland. Porém, um episódio em especial deixa o protagonista em alerta sobre seu futuro sombrio. Ao deixar cair no chão uma pasta com arquivos de óbito, encontra a ficha de um homem que trabalhou a vida inteira como arquivista em Cleveland, um emprego burocrático, exatamente como o dele. Tanto no cinema como na vida, fatos como esse inflama nossa imaginação de como escapar de existências esvaziadas de significados. (mais…)
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Tanta coisa para correr atrás, porém algo não se encaixa. Peças soltas e perdidas pesam sobre seu corpo. A vida barata chama. Ainda tonta articula alguma possibilidade de saída. Nada. Ela aguarda, imóvel. Tudo de pernas para o ar. Sua existência foi varrida num sopro, sem tempo para o útlimo suspiro. (mais…)
no ponto espero por uma palavra, um rosto conhecido, um vento frio para despertar, um cigarro, os faróis dos carros, o cheiro de café, uma conversa qualquer, uma moeda perdida, um ônibus que nunca aparece.
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Noite quente. Janela aberta. O barulho do mar era abafado pelo som do sax. A melodia descompromissada ecoava do 9º andar. Já era tarde quando a gaita entrou. Mesmo assim, ninguém reclamou.
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não sou muito de sarau, mas arrisquei uns versos durante o Simpoesia, no debate do dia 16/10 – Poesia imaginativa ou a subversão do real. Com Roberto Piva, Claudio Willer e Claudio Daniel. E quando a palavra passou para o Piva, sem “rebosteio” ele mandou: (mais…)


